10/05/2010 - Está em curso estudo com apoio do Tamar para entender o metabolismo das fêmeas de tartarugas marinhas. O objetivo é saber se elas se alimentam ou não, durante a reprodução. Leia mais. ↓
Com o objetivo de elucidar a dinâmica metabólica das fêmeas de tartarugas marinhas, durante o período reprodutivo, amostras sanguíneas estão sendo coletadas desde janeiro, nas praias do Chapadão, Minas e Sibaúma, na área protegida pela base do Projeto Tamar/ICMBio em Pipa, litoral norte do Rio Grande do Norte. O estudo, que conta com apoio do Tamar, faz parte do projeto de doutorado da médica veterinária Daphne Wrobel, pelo curso de pós-graduação em Biociências Nucleares da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
A pesquisadora pretende correlacionar o peso corporal das fêmeas de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), seus níveis séricos de grelina e leptina (hormônios relacionados ao apetite) e os parâmetros bioquímicos indicadores do seu estado nutricional. O estudo, iniciado este ano, vai prosseguir por três temporadas reprodutivas consecutivas, até 2011/2012.
As variações fisiometabólicas serão avaliadas através de amostragem sanguínea seriada, delineando o perfil de cada tartaruga. Até agora, 53 amostras já foram coletadas, sendo 31 de indivíduos novos e remigrantes e o restante corresponde a retornos das fêmeas marcadas. A maior parte dos animais amostrados apresentou redução gradativa de peso, além da diminuição dos níveis de glicose sanguínea.
As outras análises serão realizadas após o término da atual temporada 2009/2010, no Laboratório de Bioquímica e Toxicologia da UERJ, no Rio de Janeiro. “Os dados obtidos terão grande valor científico, uma vez que não há informações na literatura sobre a fisiologia do controle do apetite da tartaruga-de-pente”, afirma Dapnhe Wrobel.
Armazenando energia - Durante o período reprodutivo, machos e fêmeas de tartarugas marinhas migram de áreas de alimentação para áreas de reprodução, chegando a percorrer centenas ou milhares de quilômetros. Conforme registra a literatura disponível, nesse período as fêmeas diminuem ou cessam completamente a ingestão de alimentos, mobilizando suas reservas energéticas para fins reprodutivos. Na área de Pipa, já foram identificadas tartarugas-de-pente (Eretmochelys imbricata) com perda de massa corpórea durante a temporada reprodutiva, indicando que o gasto calórico destes animais é maior que sua reposição.
O fato de as fêmeas não se alimentarem nos períodos internidais, segundo os pesquisadores, reforça a evidência de que estes animais armazenam energia e nutrientes no período que antecede a cópula, enquanto ainda se encontram nas áreas de alimentação. É possível que o apetite de fêmeas em nidação seja regulado por mecanismos endócrinos. Entre os hormônios relacionados ao metabolismo energético, estão a leptina, um peptídio anorexígeno, e a grelina, um orexígeno, ambos já isolados de répteis.
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